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Muito se fala sobre separar a obra do artista, mas, quando os donos da arte parecem não aprender, talvez essa tentativa caia por terra. Em sua última apresentação, Dolce&Gabbana se envolveu em polêmicas — mais uma vez — depois de trazer um casting branco em um desfile chamado “O Retrato do Homem”, que exploraria as várias faces de um homem que, ali, tinha o mesmo rosto: o branco.

O verão chegou e, aqui, eles parecem ter repensado algumas coisas. O comunicado do site começa com “um lugar de origem ao qual todos são bem-vindos”. A coleção carrega o nome “Férias Sicilianas”, em mais um mergulho na Sicília e na herança italiana, e blá, blá, blá. Honestamente, escrevo parecendo estar de saco cheio, porque minha primeira reação ao ver o release e as fotos foi essa: de novo? Mas acho que existe algo corajoso e que a Dolce&Gabbana sabe fazer como ninguém: ser Dolce&Gabbana.

O show começa com tons mais fechados, que misturam texturas de couro, tricot e alfaiataria. Aos poucos, vão ganhando algo mais solar, que vem dos broches, dos bordados — de miçangas ao sangallo —, dos jeans e dos tons mais claros, que vão dominando a passarela aos poucos. A carga visual é um pouco cansativa, mas, ainda assim, é bonita e rica o suficiente para se encantar com o que está na passarela.

Eles não economizaram nas referências, e elas não ficaram só nos corais e ramos bordados; cartões-postais e paisagens também viraram estampa. E, para quem quiser arrumar as malas, as maxibolsas, de couro ou de palha, também são um show à parte.

É tudo muito como a Dolce&Gabbana é, sempre foi, e, em tempos de minimalismo ou de reajustes para conseguir um lugar ao sol, Domenico e Stefano parecem sustentar que o diferencial da D&G é ser a D&G. Entretanto, no sentido mais literal da palavra, todo esse exagero visual desapareceu na fila final.

Ao invés de um último olhar para o que foi desfilado, os modelos passaram pela passarela em conjunto, todos de branco, e não voltaram para trás, mas seguiram em frente. Todos iguais, como no “Retrato do Homem”, mas, dessa vez, muitos homens diferentes entre si usando a mesma cor, aquela da camisa branca, e um talvez “quem me conhece, sabe”, que pode não ter sido tão explícito, mas que termina esse desfile com muito menos aflição que o último.

Quem conhece a Dolce&Gabbana sabe que é difícil separá-los de suas falas e atitudes preconceituosas em pleno 2026. E quem conhece a Dolce&Gabbana também sabe que eles fazem roupa como poucos. Muitas coisas sobre a marca são duvidosas, mas uma única é certa: ser a Dolce&Gabbana é a pior e a melhor parte da Dolce&Gabbana.

Assista o desfile completo:

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

Hylentino
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