Sei que é óbvio, mas nunca esqueço quando uma vez me disseram que o futebol era o que era porque ele podia ser jogado em qualquer lugar: você só precisa de uma bola — ou qualquer coisa que pareça uma — e um gol.
Viver no Brasil é saber sobre futebol desde muito pequena. E nem digo sobre o que é escanteio ou qualquer uma dessas coisas técnicas, mas sobre o sentimento de ver uma nação toda se apaixonar, torcer e vestir a camisa. E ontem, o mundo vestiu adidas. Para a apresentação no Rio Fashion Week, a gigante alemã escolheu Rafaela Pinah, diretora criativa, stylist e fundadora do Cool Hunter Favela, para trazer um novo olhar para peças que já eram conhecidas da marca. Entre camisas de time, firebirds e a estrela da noite, o Megaride, Rafaela Pinah trouxe um Brasil caloroso, que de longe até aparenta ser conhecido, mas que ganha a grandeza da extensão do nosso território quando olhamos para os detalhes.
As mangas ganham bordados que misturam búzios, miçangas e pedrarias, com uma menção honrosa aos punhos com rendas Richelieu que encheram meus olhos. Os bate-bolas agora carregam a Trionda, bola oficial da Copa do Mundo de 2026. E o futebol até poderia ser a estrela da noite, mas o Time Brasil como um todo foi lembrado. Os looks que encerraram o desfile vinham em verde e amarelo, com meias e body cravejados de strass que formavam estrelas, enquanto o último momento carregava medalhas de ouro.
Lembro que, quando conversei com a gerente de marketing da adidas no Brasil, ela conseguiu verbalizar algo que eu sempre me questionei, mas que no fundo sabia a resposta: tem histórias que só o Brasil sabe contar.
Em um país de extensão continental, Rafaela Pinah trouxe para a passarela da adidas na RIOFW um Brasil múltiplo de verdade, que joga dentro e fora de campo, que vibra pelo esporte como nenhum outro faz, e tem o futebol como parte do seu lifestyle. E ontem, o Brasil vestiu o mundo inteiro para assistir à história que só o país do futebol poderia contar.
