Muito se fala sobre a dança das cadeiras, mas pouco sobre legados que ultrapassam a vida. Giorgio Armani foi considerado um imperador da moda e, orgulhoso de seu império, fez questão de garantir que ele permanecesse vivo mesmo após sua morte. Depois da estreia de Leo Dell’Orco na semana de moda masculina, é a vez de Silvana Armani, sobrinha do fundador, apresentar a Alta Costura.
Silvana trabalhou ao lado de Giorgio por 45 anos. Foi modelo, recepcionista e designer da linha feminina, e agora assume a Alta Costura em uma transição que celebra o legado do tio sem apagar suas próprias criações. Para a estreia, escolheu a jade como ponto de partida. Na China, a pedra simboliza justiça, sabedoria, riqueza, sorte, pureza e prosperidade, e é conhecida como “a pedra do imperador”.
Ao invés de 100 looks, a coleção apresentou 60. O desfile se iniciou com uma alfaiataria fluida, marcada por camisas de organza, que aos poucos dava lugar a vestidos mais glamourosos, em um espetáculo silencioso, de caminhar lento, que sabia aproveitar o tempo. Os bordados assumiram papel central — lantejoulas, cristais e franjas — assim como leques tuanshan, que reforçam a narrativa chinesa para a coleção. A jade também guiou a paleta de cores, combinada a preto, branco e rosa.
Entre os momentos de destaque, um vestido inteiramente bordado em cristais surgia coberto por uma capa de ópera e se revelava na passarela. Já o vestido de noiva encerrava o desfile com chave de jade: criado pelo próprio Armani, mas ainda não havia sido apresentado.
Silvana é atualmente a única mulher à frente da Alta Costura parisiense e, no comando de uma das casas mais importantes da história da moda, escolheu honrar Giorgio Armani sem se curvar. Em uma coleção mais jovem e leve, conquista pelo valor — assim como diz o provérbio chinês: “O ouro tem um preço; a jade é inestimável”.
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