A única viagem que eu havia colocado como meta para fazer em 2026 era conhecer os Lençóis Maranhenses. A partir do momento em que decidi embarcar nessa aventura, tive apenas um mês para comprar as passagens, pesquisar hospedagens e organizar toda a logística. Mas a maior dificuldade não foi nenhuma dessas etapas: foi escolher em qual cidade ficar.
Para conhecer o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses existem três bases principais: Santo Amaro, Barreirinhas e Atins. Nos vídeos da internet, as recomendações costumam ser bem claras. Santo Amaro é indicada para quem deseja focar exclusivamente nos Lençóis, já que abriga algumas das lagoas mais bonitas da região e permite acesso ao parque em poucos minutos. Barreirinhas possui a melhor infraestrutura, mas fica a cerca de uma hora dos Lençóis e costuma ser a mais movimentada. Já Atins aparece quase sempre acompanhada dos mesmos avisos: é o destino mais caro, menos acessível e mais distante. Como eu tenho certa atração pelo caminho mais difícil, escolhi Atins — e minha decisão não poderia ter sido melhor.
Atins é uma pequena vila de pescadores no litoral maranhense e, por isso, é a única das três bases que possui praia — um detalhe que pesou bastante na minha escolha. A vila tem um charme único: ruas de areia que lembram Jericoacoara, no Ceará, e uma atmosfera tranquila, onde os principais meios de transporte são carros 4x4 e quadriciclos.
A viagem começa em São Luís. De lá, pegamos um transfer até Barreirinhas em um trajeto de aproximadamente quatro horas. Na modalidade compartilhada, o percurso custa em torno de R$ 90 por pessoa. Já em Barreirinhas, embarcamos em uma lancha voadeira rumo a Atins, também por cerca de R$ 90 e com um trajeto de 1h30. Ao chegar à vila, um carro 4x4 nos leva até a porta da pousada, completando a última etapa da jornada.
O trajeto pode parecer longo, mas faz parte da experiência. Quanto mais você se aproxima de Atins, mais a sensação é de estar deixando a cidade para trás e entrando em um lugar onde o tempo corre em outro ritmo. Quando finalmente se chega à vila, fica fácil entender por que tantas pessoas se apaixonam pelo destino antes mesmo de colocar os pés nos Lençóis.
Na vila, há opções de hospedagem para diferentes perfis de viajantes. Entre elas está a luxuosa Anacardier, onde Gisele Bündchen se hospedou durante sua visita aos Lençóis Maranhenses, em 2024. Eu escolhi a Urra Village, inaugurada recentemente e localizada na Rua Principal, onde estão concentrados boa parte dos restaurantes e do comércio de Atins. A localização facilitou muito a estadia, e a experiência foi excelente.
Cheguei por volta das 14h, depois de uma madrugada inteira viajando, e confesso que não tinha disposição para já encarar um passeio pelos Lençóis. Foi aí que lembrei por que havia escolhido Atins. Como a vila também tem praia, bastou caminhar alguns minutos para aproveitar o restante do dia. E não poderia ter sido uma estreia melhor: durante a semana da minha viagem, a Praia de Atins foi eleita a melhor do Brasil e a sétima melhor do mundo pelo ranking do The World's 50 Best Beaches.

Acervo pessoal
Além das lagoas, Atins também é um dos principais destinos brasileiros para a prática de kitesurfe. A combinação de ventos constantes, mar aberto e águas rasas transformou a pequena vila em um ponto de encontro para praticantes do esporte de diferentes partes do mundo. Não é raro caminhar pela praia e encontrar dezenas de pipas colorindo o céu ao longo da tarde. Esse movimento também impulsionou a abertura de diversas escolas especializadas, onde uma aula custa, em média, entre R$ 350 e R$ 400. Eu resolvi experimentar e, apesar da dificuldade das primeiras tentativas, entendi por que tanta gente volta a Atins apenas para velejar.

Acervo pessoal
Os passeios pelos Lençóis Maranhenses são outro capítulo à parte. Além dos roteiros clássicos para conhecer lagoas, a região também oferece experiências diferentes, como assistir ao nascer do sol nas dunas acompanhado de um café da manhã ou explorar o parque durante a noite para observar um céu completamente tomado por estrelas. As saídas podem ser compartilhadas ou privativas. Os passeios de meio período custam, em média, R$ 150 por pessoa, enquanto os de dia inteiro ficam em torno de R$ 300. Na minha experiência, três dias em Atins são suficientes para conhecer os principais circuitos sem precisar correr de um lado para o outro.

Acervo pessoal
Os almoços costumam acontecer em pequenos povoados espalhados pelo parque, uma oportunidade de conhecer um pouco da culinária local entre um mergulho e outro. Os restaurantes são simples, mas servem peixes frescos, camarões e pratos típicos da região. Em média, uma refeição completa custa cerca de R$ 100 por pessoa.
De volta à vila, a gastronomia surpreende pela variedade. Apesar do tamanho de Atins, há desde restaurantes mais sofisticados até opções despretensiosas, com boa comida e preços acessíveis. Na maior parte das noites jantei em uma pizzaria muito agradável, onde a conta girava em torno de R$ 80 por pessoa. No almoço, também encontrei boas opções na faixa dos R$ 60.
Quando o sol se põe, a movimentação se concentra na orla. Alguns beach clubs promovem festas e apresentações musicais, mas sem perder o clima tranquilo que define Atins. Diferentemente de outros destinos de praia, a noite termina cedo e, por volta da meia-noite, a vila já volta ao silêncio.
Outro passeio que recomendo é atravessar de barco até a Ponta Brasília. A travessia custa cerca de R$ 40 (ida e volta) e leva apenas alguns minutos. Do outro lado, a paisagem muda completamente: ali, as águas doces dão lugar ao encontro com o mar. Depois de dias mergulhando nas lagoas cristalinas dos Lençóis Maranhenses, terminar a viagem com um banho de oceano parece quase um encerramento perfeito.
Se antes eu tinha dúvidas sobre qual base escolher para conhecer os Lençóis Maranhenses, hoje faria exatamente a mesma decisão. Atins exige um pouco mais de tempo para chegar, mas entrega uma experiência que vai muito além do parque nacional. Entre dunas, lagoas, praia e o ritmo desacelerado da vila, é daqueles destinos que fazem a viagem começar muito antes do primeiro mergulho.
