Em entrevista ao Business of Fashion, Pierpaolo Piccioli contou que dividiu o escritório com Demna Gvasalia por cerca de um mês, enquanto o então criativo à frente da marca construía sua última coleção de Alta-Costura. Em sua estreia, Piccioli disse ter tentado retornar aos arquivos da Balenciaga sem apagar a estética de seu antecessor. As opiniões foram bem divididas, mas ele parece não ter medo dos baby steps. Em sua coleção de Pré-Fall 2026, apresentada hoje, vemos uma estética ainda mais alinhada aos seus moldes, mas ainda assim flertando com aquilo a que o olhar já está habituado.

“Menos cínico, mais humano”: foi assim que ele descreveu a nova fase da Balenciaga. Para ele, a tentativa de parecer jovem não é uma boa ideia, mas ele ainda parece querer agradar o público que foi atraído por Demna Gvasalia. A maior novidade da coleção é o sportswear, que, além de contar com tecidos tecnológicos, também tenta mesclar a estética da alta-costura com o movimento, a rua e o esporte. A escolha não é apenas um agrado: ela propõe transformar o cotidiano em algo mais mágico ao misturar leggings e tops de academia com jaquetas, trench coats, saias e vestidos com silhuetas de Cristóbal Balenciaga, que colocam a forma humana no centro. Há ainda lapsos de memória em alguns moletons estampados e óculos grandes, que remetem à era Demna.
A primeira colaboração é com a NBA e, como fã da liga, admito que me decepcionei. Apesar de bonitas, as peças são básicas e parecem uma versão um pouco mais cara da collab entre a NBA e a Fear of God, e infelizmente, sem graça. Apesar do objetivo de Piccioli não ser tão barulhento quanto Demna, aqui talvez tenha faltado um pouco do calor que a rua e o esporte têm. Afinal, desde o início, estamos falando de movimento.
Pierpaolo tem dado pequenos passos e, segundo a Kering, o objetivo é duplo: continuar a construir os negócios já existentes e reforçar a herança de alta-costura da marca. Para um dos grandes nomes da moda, não parece uma tarefa impossível. Honestamente, é como se faltasse algo — e nem falo sobre rasgos ou virais, mas sobre algo que ainda não se vê de forma clara e você escuta em alto e bom som: Balenciaga. Ou será que, por agora, falar mais baixo é o melhor movimento?
