Após uma estreia triunfal na temporada de verão passada, mas guiada pelo branco e pela calmaria de músicas de Nina Simone e David Bowie, hoje, Louise Trotter apresentou o segundo capítulo de sua Bottega Veneta, ganhando mais ritmo e peso no desfile de inverno 2026. Em uma passarela de veludo vermelho, direto do escritório da marca, looks pretos abriram o show, em uma alfaiataria que poderia parecer simples à primeira vista, mas é no primor e no rigor da modelagem que vemos que não se trata de qualquer coisa. As peças tinham algo de brutalistas, quase como extensões da arquitetura de Milão, cidade que se tornou a casa de Trotter há um ano: estruturas firmes, linhas precisas e uma força silenciosa que não precisa de ornamento para se impor.
E a construção é o forte de Trotter: um casaco de lã consegue receber uma lapela de couro; uma blusa com ombros amplos era combinada com uma calça, mas que, na verdade, poderia ser um macacão; e, entre essa exploração têxtil e modelagens não arquitetônicas, mas matemáticas, até o casual de Trotter se torna extraordinário, e é aí que vemos que a mulher não veio para brincadeira. Os acessórios? Bolsas já conhecidas da casa e novas criações com o Intrecciato, além da brincadeira cotidiana que já é o DNA da marca, como uma bolsa de couro que imita jornal ou uma sacolinha de mercado que imita plástico, mas que, pasmem, era couro. E tudo isso ao som de techno, que deixava tudo mais excitante e intimidador.
Já no grand finale, o que na França poderia ser a melhor coleção de alta-costura de uma temporada, em Milão era apenas o prêt-à-porter de uma mulher extraordinária. Vestidos de pelúcia ganhavam movimento com as modelos desfilando, e casacos de fibra de vidro (o mesmo material das saias apresentadas na coleção de estreia de Trotter) criavam um efeito tão primoroso que, em tempos de IA, pareciam irreais. Mas, além disso, é um desfile que emocionou e trouxe esperança. A esperança de que essa indústria sexista aposte menos em homens medíocres — sustentados por cargos, egos e repetições — e mais em mulheres que constroem, pensam e sustentam sua visão com rigor, inteligência e trabalho de verdade.
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