Fomos do sistema solar a um pedido de casamento no metrô. Da Chanel que caminha entre os astros à mulher que se torna estrela em situações cotidianas. Em sua estreia na Alta Costura, Matthieu Blazy nos conduz a uma vila de cogumelos habitada por animais encantados, embalada pela trilha sonora de A Bela Adormecida, e nos entrega mais um motivo para sonhar.
A transparência da musseline envolve os clássicos tailleurs da Chanel como uma segunda pele, vestindo a mulher Chanel com leveza e delicadeza. O casting, diverso em idades e etnias, reforça a ideia de que essa personagem pode ser qualquer uma de nós. Na evolução das peças, surgem bordados de flores, cogumelos e pássaros, além de pérolas e cristais. Pequenas plumas são minuciosamente aplicadas para reproduzir o efeito do tweed. Vestidos em camadas franzidas e sobrepostas evocam lembranças da estreia do diretor criativo, enquanto a ráfia trançada, as asas holográficas e a simplicidade inesperada revelam uma Chanel mais contida do que se imagina.
Em entrevista à WWD, Matthieu explicou que a simplicidade do desfile foi intencional. Não por desacreditar na exuberância, mas porque, ao se conectar com a história de Gabrielle Chanel, percebeu que a criadora começou fazendo roupas extraordinárias para o cotidiano. A partir disso, Blazy propõe criar peças de alta costura que acompanhem o dia a dia. Ele despe a Chanel de seus símbolos mais óbvios para que, mesmo assim, sua essência permaneça visível.
Bhavitha Mandava, que abriu o desfile ambientado no metrô, perdeu o sapatinho no caminho e o reencontrou como a primeira noiva de Matthieu Blazy na Alta Costura. O look final, composto por camisa e saia, encerra o desfile sem a grandiosidade tradicional das noivas couture. Ainda assim, aquece o coração ao ver a modelo sorrindo. A proposta não soa como ruim, mas deixa no ar um inevitável gosto de “quero mais”.
A Alta Costura de Matthieu Blazy é encantada o suficiente para brilhar por si só. O cenário e as peças esvoaçantes nos conduzem a uma dança mais calma, distante da grandiosidade do Universo e do agito do metrô. Depois de todas as estreias de Blazy, já podemos cravar um felizes para sempre?
MODA• 2 min de leitura
