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O ano era 2021. Os desfiles presenciais voltando, e na temporada de alta-costura de inverno 2021, em julho, um dia antes da semana começar, era um domingo e a maison Alaïa fazia um desfile, mas não era qualquer desfile. Era seu retorno após a morte do fundador, em 2017, com um novo diretor criativo, discípulo de Raf Simons. Esse diretor criativo era Pieter Mulier, um belga de 41 anos na época, que mal sabia que entraria para a história.

O primeiro desfile foi tão marcante que as imagens eu lembro até hoje: as modelos desfilavam com vestidos de malha recortados e os cabelos volumosos, como mandavam os anos 1980, e tudo tinha um ar genuinamente sexy e misterioso — e foi esse encanto que fez a marca cair novamente no gosto das celebridades, como Rihanna grávida no Oscar ou Beyoncé prateada na Bahia, mas isso tinha nome: primor.

Mulier se comprometeu com a grife, trazendo e dando o seu melhor. Uma simples coleção de prêt-à-porter parecia alta-costura; um simples vestido de malha parecia ter sido esculpido no corpo. E tudo isso era um prestígio ao legado de Azzedine Alaïa, mesclando suas criações com um toque contemporâneo, mostrando que estar à frente da direção criativa de uma marca, acima de tudo, é sobre respeitar a história.

E ontem, cinco anos depois, esse ciclo foi encerrado. Com uma passarela estreita — em que os convidados ficam muito próximos às roupas, algo que virou marca de Mulier —, o clima era de confraternização. Enquanto os rostos de membros da equipe do ateliê da marca eram projetados no telão, as modelos desfilavam rosto a rosto com eles, numa sublime homenagem de criador e criatura, em que Pieter reconhece que, sem eles, sua equipe, ele não seria ninguém. E a coleção, do começo ao fim, seguiu homenageando a história que foi feita nesses cinco anos. Tinha o shape dos vestidos transparentes com um body sobreposto desfilados no verão 2024, ou os capuzes do verão 2023, ao lado dos vestidos de “crocodilo”.

No fim, ficou a sensação de assistir a um capítulo inteiro da moda se fechar diante dos nossos olhos. Pieter Mulier não apenas reergueu a Alaïa, ele a colocou novamente no centro da conversa. Agora, boa sorte na Versace!

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

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