Prestes a lançar seu quarto álbum de estúdio, “Kiss All the Time, Disco Occasionally”, Harry Styles, que ontem (1º) celebrou seu aniversário de 32 anos, revelou em entrevistas recentes que o novo álbum é inspirado pelo que ele ouviu e sentiu ao sair para dançar e se misturar em músicas eletrônicas e clubes, especialmente depois de passar tempo em Berlim — onde frequentou cenas de música underground e clubs como Berghain.

Na era “Harry’s House”, o estilo de Harry Styles estava claramente alinhado ao glamour dos anos 70: alfaiataria ampla, macacões, boca de sino e uma ideia de conforto sofisticado que dialogava tanto com a sonoridade do álbum quanto com as tendências setentistas.
Em janeiro deste ano, com o anúncio de “Kiss All the Time, Disco Occasionally”, essa virada se confirma. Na capa, ele usa uma calça jeans Levi’s com uma camiseta de tricô criada por Patrick Carroll, artista e clothesmaker que trabalha o knitwear de forma artesanal, usando textura e construção manual para falar de intimidade e vulnerabilidade masculina.

Ainda sobre a camiseta de Patrick Carroll, ela também se insere diretamente na estética clubber do projeto. Mais justa, levemente cropped e com transparência, a peça rompe com códigos tradicionais do vestuário masculino e dialoga com referências da cena noturna e da moda experimental.
Os óculos wraparound também ajudam a reforçar esse flerte com a estética clubber. São armações recorrentes na cena techno europeia e aparecem com frequência em looks ligados à cultura de pista.
Também é possível pensar em trocas com Alessandro Michele, amigo próximo de Harry e fã assumido de techno, que vem incorporando códigos da cultura club em seu trabalho na Valentino, tanto na trilha sonora dos desfiles quanto em peças e acessórios, inclusive em óculos wraparound.
No ano passado, Harry foi visto usando o famoso boné “techno is my boyfriend”, da marca IDEA, frequentemente usado por Alessandro Michele. A frase funciona como uma declaração direta de amor ao gênero musical e já indicava, naquele momento, pistas dessa nova era.

No conjunto, as escolhas se aproximam do imaginário do gay clubber europeu, que privilegia peças utilitárias, silhuetas mais ajustadas e códigos que nascem dentro da cultura de festas — algo que também aparece em looks recentes, como a aposta em um look Versace, da coleção de Dario Vitale.
Já no Grammy, ele surgiu com um look da última coleção feminina de verão da Dior. A escolha do blazer sem camisa, combinado com jeans e ballet flats — apesar de não ser techno literal — se encaixa na ideia de deslocar códigos do formalismo para algo mais pessoal e descontraído, que vem aparecendo em seu guarda-roupa.

E se temos um novo álbum com uma nova sonoridade, os macacões com paetês e as calças com franjas metálicas abrem espaço para um armário mais underground, que dialoga diretamente com a cultura clubber e com o espírito dessa nova era. No carrossel, veja como essa construção de estilo e pesquisa vem sendo desenhada.
