Estreando nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9), o tão aguardado “O Drama”, do diretor Kristoffer Borgli e estrelado por Zendaya e Robert Pattinson, acompanha a história de amor de Emma, uma bacharel em inglês, e Charles, diretor do Museu de Arte de Cambridge. A famosa ideia de que “amar alguém é conhecer todos os seus defeitos e mesmo assim escolher ficar” talvez seja a melhor forma de sintetizar as 1h45 de filme, que nos convida a refletir sobre a fragilidade dos relacionamentos contemporâneos.
Nos primeiros minutos, Emma lê “The Damage”, um romance que tensiona noções de culpa, lealdade e justiça, ao perguntar até onde alguém iria para proteger quem ama. É a partir desse livro que ela e Charles se conhecem — e Borgli, longe de trabalhar com elementos aleatórios, transforma cada gesto, objeto e diálogo em pista para o grande plot. Em um jogo de cena construído a partir das memórias do casal, o filme revela como um relacionamento também se sustenta — e se distorce — pelas lembranças que escolhemos preservar.
Prestes a subir ao altar, o casal tem sua dinâmica transformada após um jogo entre padrinhos, no qual revelam ao outro a pior coisa que já fizeram. A partir desse momento, memória e imaginação passam a disputar espaço na narrativa, contaminadas pelo medo e pela dúvida. É nesse ponto que a direção de Borgli brilha: o cinema se transforma em um júri popular, e cabe ao espectador decidir se há, de fato, uma falha irreparável, ou se tudo não passa, literalmente, de “o drama”.
A ideia inicial retorna como chave central: amar alguém é, afinal, escolher ficar? O filme responde menos com palavras e mais com gestos, sugerindo recomeços nas pequenas ações do cotidiano. E, apesar das reviravoltas, ele é imprevisível do começo ao fim. Zendaya e Pattinson têm uma química verossímil e, ao longo das 1h45, a sensação é de que somos amigos da casal e também fomos convidados para o casamento do ano. Mais do que um filme, “O Drama” se aproxima de uma experiência quase interativa, em que o espectador participa ativamente, questionando seus próprios limites diante do amor.
CRÍTICA• 2 min de leitura
