Do diretor de “Todos Menos Você” (2023) e “A Mentira” (2010), Will Gluck está de volta com seu novo filme, “Só Por Uma Noite”, que reúne Callum Turner e Monica Barbaro em uma mistura de comédia romântica, ficção científica e aventura que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20), partindo de uma premissa tão absurda quanto curiosamente funcional: em um Estados Unidos onde o sexo entre pessoas que não são casadas é proibido, existe uma única noite do ano em que a prática é liberada e, durante essas poucas horas, solteiros saem pelas ruas em busca de alguém com quem passar a noite.
Turner interpreta Owen, dono de uma pizzaria que chega à noite com planos que rapidamente saem do controle, enquanto Barbaro vive Allie, uma cantora de jingles publicitários que, incentivada por sua colega de apartamento, decide finalmente entrar no jogo e aproveitar a única noite do ano em que pode fazer aquilo que, durante os outros 364 dias, seria considerado crime. É nesse cenário que os dois se encontram e, embora tenham todas as razões para simplesmente seguirem caminhos diferentes em busca de seus respectivos parceiros, acabam decidindo não transar um com o outro e passam a noite percorrendo Nova York juntos, entre Manhattan e Brooklyn, tentando ajudar um ao outro a encontrar alguém.
Se você lembra de “Nerve: Um Jogo Sem Regras” (2016), a comparação não é gratuita. Assim como o filme estrelado por Emma Roberts e Dave Franco, “Só Por Uma Noite” transforma Nova York em um enorme playground e concentra praticamente toda a sua história em algumas horas, acompanhando seus protagonistas pelas ruas da cidade enquanto eles entram e saem de situações cada vez mais improváveis até o amanhecer. A diferença é que, enquanto “Nerve” colocava seus personagens diante de desafios que poderiam literalmente colocar suas vidas em risco, aqui o grande desafio é encontrar a “presa” perfeita antes que a noite termine, o que faz do novo filme uma espécie de versão de comédia romântica daquela mesma fórmula, com direito a fotografia iluminada por neon, festas, bares e uma cidade que parece existir apenas durante aquelas poucas horas.
E é justamente quando abraça esse absurdo que “Só Por Uma Noite” funciona melhor. O filme encontra suas melhores piadas nas situações contemporâneas e nas contradições de um universo em que o sexo casual foi transformado em um acontecimento quase esportivo, conseguindo arrancar risadas sem depender tanto daquele humor de tiozão que ainda aparece com frequência nas comédias estadunidenses, principalmente quando o roteiro tenta transformar relações, sexualidade e comportamento contemporâneo em motivo de piada.
O filme também se diverte ao escalar uma verdadeira coleção de figurantes de luxo, daqueles que aparecem por poucos minutos e já roubam a atenção, como Julia Fox, Pete Davidson, Bobby Cannavale e Nicholas Braun, além de outras participações que funcionam quase como pequenas surpresas ao longo da noite e ajudam a manter o ritmo da aventura enquanto Owen e Allie atravessam Nova York em busca de seus respectivos encontros.
O problema é que “Só Por Uma Noite” é extremamente previsível, e não apenas porque estamos diante de uma comédia romântica cuja fórmula já conhecemos, mas porque o próprio filme parece não ter muito interesse em esconder para onde está indo. Você começa a assistir sabendo exatamente qual será o destino de Owen e Allie, entende rapidamente qual será a função de cada personagem secundário e, principalmente, percebe que aquela noite inteira nada mais é do que um caminho bastante longo até uma conclusão que poderia ser antecipada nos primeiros minutos.
A partir daí, o filme começa a dar voltas em torno de uma história que já conhecemos, criando situações, encontros e desencontros que funcionam individualmente, mas que nem sempre parecem necessários para a narrativa como um todo. É como se Will Gluck tivesse uma boa ideia para uma comédia romântica de uma noite só, mas precisasse esticar essa ideia até o tamanho de um longa-metragem, tirando leite de pedra para encontrar novas situações capazes de manter Owen e Allie circulando por Nova York até que finalmente cheguem ao inevitável ponto final.
“Só Por Uma Noite” não chega a ser uma experiência ruim, principalmente porque entende o tipo de filme que quer ser e consegue encontrar graça justamente no absurdo de sua própria premissa, mas também não consegue transformar essa boa ideia em algo tão interessante quanto poderia. No fim, sobra um filme divertido, visualmente simpático e com boas participações, que funciona melhor como uma noite agradável no cinema do que como uma comédia romântica realmente memorável.
