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Essa semana, conversando com a Dani sobre vida profissional, ela me disse a seguinte frase: “É bom ter um lugar para voltar.” E para Maria Grazia Chiuri, esse lugar é exatamente onde tudo começou há 37 anos: a Fendi. Antes no departamento de acessórios, sendo uma das responsáveis pela criação da bolsa Baguette, depois co-liderando a Valentino e, por fim, sendo a primeira mulher diretora criativa da Dior, Chiuri agora retorna à maison romana.

Intitulada “Menos Eu, Mais Nós”, o título, estampado no piso da passarela, ecoa como um lembrete de que a moda ainda se apoia fortemente na figura individual do designer. Aqui, o “nós” fala sobre equipe, ateliê e herança da casa.

À primeira vista, alguns looks parecem levemente “diorianos”: a silhueta alongada, a precisão dos cortes, a construção afiada da feminilidade. Mas logo fica claro que não é repetição, e sim identidade. É o beabá que Chiuri desenvolveu ao longo dos anos reaparecendo de forma natural. Toda diretora criativa carrega um traço próprio, e aqui ele surge mais maduro.

Na prática, essa filosofia se traduz em roupas que parecem menos declaração artística e mais armário compartilhado: silhuetas que flutuam entre gêneros, paleta sóbria dominada por preto e branco, e peças como blazers e casacos pensados para circular. As golas ganham destaque, altas e bem desenhadas, algumas lembrando molduras arquitetônicas. Há também o retorno das peles, elemento central da história da Fendi, trabalhadas com mais leveza e menos ostentação.

Esteticamente, “Menos Eu, Mais Nós” trabalha com contrastes. O clássico encontra o contemporâneo, o artesanato conversa com a funcionalidade, e a tradição aparece ao lado de gestos atuais, como duas bolsas usadas juntas. A ideia é mostrar que legado também pode ser atual. Talvez o mais interessante não esteja apenas nas roupas, mas no que a coleção diz sobre o momento da moda. Um setor em busca de narrativa e propósito, tentando transformar discurso em desejo real. Se a moda do futuro é “nós”, como sugere o título, resta saber se esse “nós” amplia possibilidades ou apenas deixa tudo mais seguro.

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

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