Esperei quase um ano por esse desfile. Quando Demna foi anunciado como diretor criativo da Gucci, em 13 de março de 2025, pensei em como me sentiria vendo meu favorito em outra casa. Nesse tempo, assim como Demna, passei meses vendo desfiles antigos e me apegando ao sentimento Gucci.
Na era de Tom Ford, eu sentia sensualidade, ousadia, um além do tempo que tinha um ar gostoso, que não era só sobre o futuro, mas sobre o momento. Na era Michele, aquele cheiro de brechó que fez todo mundo querer vestir brechó porque aquilo era muito Gucci, e, no fundo, alguma música do Harry Styles.
Quando li a carta de Demna que precedia o desfile, a parte em que ele diz que quer que a Gucci seja um sentimento foi a que mais me brilhou os olhos. Nós, arianos, somos meio que movidos pela emoção, precisamos estar apaixonados para sentir e viver por aquilo como se fosse a nossa vida. E aqui, eu vi um Demna apaixonado.
O acting do desfile diz muito. A mãozinha para cima segurando a bolsa e a cara de nojenta são algo muito Demna, como se a Gucci fosse um sentimento exclusivo de pessoas muito cool. O andar forçado, as mãos soltas, a maquiagem forte e a parte em que o rapper Fakemink para na passarela para mexer no celular na pochete me lembraram uma frase que ouvi esta semana: quem não conhece o sotaque da rua, fala sozinho.
Demna Gvasalia, desde sempre, olha para todos os lados, mesmo quando tem um público-alvo. Seu impacto cultural está em fazer o cotidiano virar luxo, e aqui vimos um cotidiano que é luxuoso por ser quem é. A Gucci de Demna Gvasalia bebe da fonte de todo mundo que passou por ali, mas também olha para fora e para quem sonha em estar ali.
A Gucci de Demna é um sentimento. Daqueles que te fazem querer passar um lip combo hoje e sair com um pé na frente do outro e uma sainha de 2 cm de comprimento, mesmo que ela não seja Gucci, mas vai estar muito Gucci. Que, antes de sair de casa, você peça proteção e termine com Father, Son and House of Gucci.
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