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Enquanto muitos desfiles subestimam a trilha sonora, para André Namitala, a escolha vai além da narrativa, sendo o ponto de partida para a criação. Em seu primeiro desfile no Rio de Janeiro, a carioca Handred apresentou “Akáshica”, com uma apresentação ao vivo da Companhia de Ópera da Lapa, sob regência do maestro Felipe Prazeres, do Theatro Municipal.

“Akáshica é uma grande viagem. Há uns dois anos eu comecei a fazer umas meditações, mas teve uma que me pegou mais, que era uma meditação guiada com música clássica, que você fica vendado. Teve uma que bateu e eu comecei a ver coisas [enquanto ouvia] e comecei a escrever sobre o que eu tava vendo. Fiz outra sessão, vi de novo, até que o terapeuta disse que isso poderia ser um registro de Akáshica”, como ele me disse no backstage antes do desfile, cuidando de cada detalhe.

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Divulgação/ Agência Foto Site

E bem, depois de três coleções consecutivas — e particularmente monumentais — onde bordados minuciosos e detalhes de costura, visíveis e invisíveis, entregam o primor da construção da peça, aqui vemos uma Handred em outra chave. Talvez pela cartela escura, reflexo direto dessas sessões em que o ver é interditado.

E naquela sala toda preta, onde arrepiávamos com a voz dos cantores, e looks deslumbrantes, muito bem editados por Antonio Frajado — que inicia aqui sua colaboração com Namitala —, parecíamos atingir um estado de suspensão: como se, por alguns minutos, acessássemos essa mesma Akáshica que originou a coleção.

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E entre veludo, seda, macramê, tricô e superfícies atravessadas por bordados precisos e franjas minuciosamente simétricas, “Akáshica” não se impõe como algo a ser visto por completo — mas como algo que se sente no escuro, fragmentado, quase inacessível, como as próprias imagens que a originaram.

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