Festas da moda costumam ser um grande mousse, daqueles que parecem um grande momento, mas no fim, alguém quer um gole desse mousse? Um encontro de várias pessoas tentando se provar em uma corrida onde alguém precisa chegar primeiro, mas ninguém chega a lugar nenhum. Para @styledotcom, Simon disse: “O mundo da moda está cheio de contratos e rigidez, eu quis voltar atrás e simplesmente me divertir”. E ele conseguiu.
Ao som de ‘Love To Love You Baby’ de Donna Summer e alguns gemidos, as modelos deslizavam pela passarela com um catwalk sedutor e confiante, vestindo peças com silhuetas esculturais, que já são comuns para Simon, mas que aqui ganharam uma sensualidade divertida, com sorrisos e olhares maliciosos. Tons neutros ganham a passarela, assim como looks inspirados no hipismo, transparências, tulipas, animal print com plumas e tudo isso com um toque dos anos 80 que deixam tudo mais interessante.


O ponto alto é o casaco vermelho e a família com póa. Das bolinhas preto e branco às coloridas, aqui a coleção escancara a vontade de Simon em se desprender das narrativas clássicas e entediantes da moda. As peças coloridas também fortalecem essa conversa, com azul, amarelo e vermelho. As bolsas ‘Valerie’ também ganham novas versões, será que temos uma nova Le Chiquito?

Se em 2017, Simon fazia história com uma bolsa que iria ganhar o mundo e uma coleção com pontos parecidos com a apresentada hoje no mesmo lugar, em 2016, ele tinha o mesmo discurso: “Gostaria que houvesse menos indústria e mais poesia”, disse ele em março de 2016 a Vogue Runway, antes mesmo da Le Chiquito ser sucesso. Para finalizar, uma modelo desfilando com uma taça cobrindo o seio, tal qual Paloma Picasso por Helmut Newton.



Em outubro do ano passado, Simon já tinha dado o nome do seu desfile sem que percebemos. O designer postou em seu Instagram uma foto de sua filha, Mia, com um penteado de coqueiro, que viria a ser o nome e a beleza do desfile. Nos vídeos de divulgação, uma festa onde todos querem ir e todos tem seu rabo do coqueiro para ostentar, mas ao contrário das festas do mundo fashion, a Jacquemus prova que ser blasé é muito sem graça, e quando o trabalho se torna divertido, vira uma grande festa, daquelas que se você se despede aos pulos, assim como ele fez hoje.
