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Em um mundo obcecado pelo novo, Pharrell Williams conversa com a atemporalidade em Timeless. À frente da Louis Vuitton, ele desacelera o tempo, mistura memória, técnica e desejo, e mostra que atemporalidade não é ausência de tendência, é construção. A frente do seu tempo em um futuro que já está sendo construído, Pharrell resgata a excelência técnica e tecnológica da Louis Vuitton, colocando a mão humana como protagonista de uma coleção que pretende transcender o tempo cronológico e celebrar o passado, construir o presente e continuar histórica no futuro.


Quando tudo passa tão rápido, o que fica? Sinto que temos uma necessidade constante de nos comunicarmos com o novo, mas enquanto tudo vem e vai na mesma velocidade, o que se constrói? Pharrell Williams é um dos maiores artistas do mundo; suas obras na moda e na música são sempre lembradas e, à frente da Louis Vuitton no ano em que o monograma completa 130 anos, o diretor criativo mergulha justamente naquilo que permanece depois que tudo passa.


Lembro que, há um ano, quando apresentou sua coleção em colaboração com Nigo, Pharrell escolheu Timeless, de The Weeknd e Playboi Carti, para representar uma amizade que sempre construiu coisas que o efeito do tempo nunca apagaria. Agora, ele escolhe Timeless para dar nome a peças que são muito mais clássicas do que as vistas em outras apresentações, mas que ainda assim representam um Pharrell e uma Louis Vuitton que já têm história suficiente para serem, de fato, atemporais.


Pharrell questiona o que é luxo e o representa por meio daquilo que dura. Desta vez, o diretor criativo investiu em uma paleta mais neutra — cáqui, verde, marrom, cinza e preto — mas, em meio a eles, introduziu laranja, amarelo, azul, rosa e, principalmente, vermelho. Tanto na escolha das cores quanto nos materiais, a ação do tempo surge como um detalhe para quem não tem pressa de observar. Na família de peças vermelhas, laranja e amarelas, a ordem das cores era disposta de forma gradual; o que ficou claro em um suéter que ia do vermelho ao preto.


A equipe da LV investiu pesado em tecidos tecnológicos, como impermeáveis, e mesmo quando não chovia, os ombros eram adornados com cristais que imitavam gotículas de chuva. Camisas amassadas eram construídas com fio de alumínio; uma jaqueta de nylon chamava atenção pela estampa de "pov: você está na janela e está chovendo". bolsas em formato de boombox e calças flare nos levavam aos anos 80 e à adolescência de Pharrell.


A coleção é, em essência, uma alfaiataria muito bem executada, com cortes e caimento precisos, misturada a peças mais esportivas — características do trabalho de Williams — e a um toque utilitário que as faz durar por muito tempo. Mesmo não sendo tão visualmente surpreendente quanto as anteriores, aqui Pharrell se coloca à prova das mudanças de tempo, clima e da velocidade do mundo atual. A casa no centro permanece enquanto tudo acontece; independentemente do tempo e dos movimentos, ela combina e se encaixa em tudo. E isso, de fato, é ser atemporal.

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

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