A Misci revelou o Filme Manifesto e a campanha da coleção Verão 27, “Escapismo Tropical”, expandindo o universo apresentado no desfile realizado em abril deste ano. Gravado nos barracões da Beija-Flor de Nilópolis e da Imperatriz Leopoldinense, na Cidade do Samba, além da Marquês de Sapucaí, o projeto aproxima dois espetáculos historicamente brasileiros: o desfile de moda e o desfile de carnaval.
Com narração de Neguinho da Beija-Flor e direção criativa de Nídia Aranha e Airon Martin, o filme é dirigido por Ángel Castellanos, que também assina as imagens da campanha. Mais do que usar o carnaval como pano de fundo estético, o projeto tenta evidenciar as estruturas invisíveis que sustentam tanto a moda quanto a avenida: costureiras, artesãos, pesquisa, construção coletiva e trabalho manual.
“O desfile de moda e o desfile de carnaval partem do mesmo lugar: do trabalho de muitas mãos, da pesquisa, da construção coletiva de uma ideia. A Sapucaí e a passarela desembocam no mesmo sonho”, afirma Airon Martin.
O resultado se afasta de uma visão turística ou caricata do Brasil. O filme fala sobre deslocamento, memória e sobrevivência, entendendo o sonho não como fuga, mas como ferramenta de permanência. Nesse sentido, “Escapismo Tropical” funciona menos como campanha comercial e mais como continuação do discurso construído pela marca nos últimos anos, em que moda, cinema e narrativa visual aparecem cada vez mais conectados.

Foto: Ángel Castellanos
As fotografias de Ángel Castellanos seguem a mesma lógica. As peças surgem em diálogo direto com o samba, a tradição oral e o artesanato popular, sem transformar esses elementos em mero cenário. Existe uma tentativa clara de construir identidade a partir dessas referências culturais, e não apenas utilizá-las como estética.
O lançamento acontece em um momento importante para a MISCI, que recentemente inaugurou sua primeira loja no Rio de Janeiro. A cidade passa a ocupar um papel estratégico na expansão da marca, reforçando uma ideia que Airon Martin tem defendido com frequência: a de que a internacionalização da moda brasileira pode começar justamente pelo aprofundamento das próprias raízes.

Foto: Ángel Castellanos
