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Gosto muito de criar atmosfera para as marcas que eu gosto e, para mim, a Diesel tem cheiro de camisinha. Acho que fiquei muito ligada naquele desfile em que havia montanhas e montanhas de preservativos, mas não falo de uma forma chula, é como se ela tivesse o ápice do espírito vital. É uma sensação que faz seu olho brilhar ou revirar, no melhor sentido possível.

No domingo, estava folheando algumas revistas antigas e, em uma delas, encontrei um anúncio da Diesel. Misturado ao cheiro de camisinha, senti o cheiro de revista antiga. A Diesel também tem uma alma dos anos 2000 que ninguém vai conseguir tirar daquele jeans.

Falando na montanha de preservativos e no passado, o set da vez era formado por uma bagunça com mais de 50 mil itens que fizeram parte da história da marca durante seus quase 50 anos. Nesse desfile, a memória da Diesel foi relembrada não como uma simples visita ao arquivo, mas como uma celebração da evolução, e aqui, não falamos só das roupas, mas também do futuro, destacando o compromisso da marca com upcycling e medidas sustentáveis ao longo de meio século.


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(Fotos: Divulgação/Vogue Runway)

O desfile começa com básico, jeans e regata, jeans e pulôver, jeans, jeans e jeans: estamos falando da Diesel. E aqui ele vem amassado, dobrado, como se, quando esticado, víssemos a melhor lavagem do mundo. Os cardigans e casacos também não vêm em ordem, com botões nos buracos diferentes, várias peças sobrepostas, como alguém que se arrumou com pressa para sair e viver.

Em seguida, vimos o desfile ganhar mais cor, com bodysuits e calças justas com flores — que depois aparecem nas estampas — e vestidos que lembram aquelas camisolas antigas que também amamos encontrar no brechó. Casacos que parecem ter sido feitos de cobertor, saias balonê, camisas com estampa de águia e strass aplicado, calças rasgadas, xadrez, casacos de pelo com várias texturas, desgaste em couro colorido e camisetas de manga longa em que o que sobra da roupa brilha.

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No meio da bagunça, essa Diesel tem cheiro de ácaro e mão cheia de poeira, e eu juro que falo isso com a melhor sensação do mundo: a de encontrar uma peça da Diesel em um brechó de igreja e ela virar o item da sua vida.

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Lembra da revista velha que citei no início do texto? Senti esse cheiro agora no fim. Mas não é como se eu fosse espirrar e jogar três Polaramine para dentro; é como se eu quisesse encontrar cada uma dessas peças hoje e, se as encontrasse daqui a 20 anos, elas teriam o mesmo cheiro de uma roupa que carrega o ápice da vitalidade, indiferente ao tempo que passe.

Hylentino

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