Neste 27 de março, Dia Mundial do Teatro, a montagem de “Hamlet, Sonhos Que Virão” ganha destaque. O espetáculo, que estreou em 19 de fevereiro e segue em cartaz até 19 de abril, no Edifício Copan, em São Paulo, é estrelado por Gabriel Leone e dirigido por Rafael Gomes.
A montagem é descrita como uma experiência imersiva e intensa, focada nos conflitos internos e na ruína física e moral dos personagens, utilizando as ruínas de um antigo cinema no Copan como cenário para a encenação.
Além de Leone, o elenco conta com Susana Ribeiro como Gertrudes, Eucir de Souza como o Rei Cláudio e Samya Pascotto como Ofélia. Para dar vida ao universo visual da peça, os figurinos foram assinados por Alexandre Herchcovitch. Para 13 atores e 28 personagens, foram desenvolvidos cerca de 40 itens de indumentária, que também incluem adereços de Antonio Gomes e joias e coroas da Nart Studio.
Mesclando referências históricas com elementos contemporâneos, o figurino ajuda a construir a atmosfera da montagem. Em entrevista exclusiva à HYLENTINO, Herchcovitch conversou com o nosso editor de cultura, Mateus Barbosa, falando sobre o processo de criação e os caminhos que deram forma ao figurino da peça.

Foto: Arquivo Pessoal
Depois de trabalharem juntos na série "Independências", da TV Cultura, foi Gabriel Leone quem convidou Alexandre Herchcovitch para assinar os figurinos de Hamlet. “Tivemos uma ótima experiência e ele acabou me convidando para fazer o figurino da peça”, relembra.
Mesclando referências do fim da Idade Média e do início do Renascimento — período em que a história se passa — com elementos contemporâneos, o resultado aparece, por exemplo, em um gibão reinterpretado, com zíper e gola rufo, que sintetiza bem a proposta do figurino da peça.

Foto: Arquivo pessoal
Segundo o estilista, o desafio foi criar um figurino contemporâneo sem abrir mão dos códigos da época em que a história se passa. O processo também envolveu atender a especificidades passadas pelo diretor e pelos atores, principalmente em relação ao calor e à mobilidade em cena.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal
Na construção visual, Herchcovitch incorpora materiais como tecidos neon e tecidos refletivos, criando um contraste entre a atmosfera histórica da peça e uma leitura contemporânea do figurino.
O boné com pena, por exemplo, sintetiza bem essa mistura de tempos proposta pelo figurino, unindo uma referência histórica a um acessório de linguagem contemporânea.

Foto: Arquivo pessoal
Como a maioria do elenco interpreta mais de um personagem, parte dos figurinos foi pensada para permitir essas trocas rápidas, acompanhando o ritmo da montagem.
Herchcovitch conta que estudou diversas montagens de Hamlet, que serviram de base para a construção de sua própria versão de figurino. A pesquisa histórica, aliás, já faz parte de seu processo criativo há muitos anos.

Foto: Arquivo pessoal
“Desde sempre, pesquiso roupas de algumas épocas que me interessam, como eram feitas e quais eram suas funções. Quando sou chamado para criar figurinos de uma época específica, aprofundo ainda mais esses estudos”, disse Herchcovitch ao ser perguntado sobre a conexão entre suas últimas coleções e o figurino da peça.

Foto: Arquivo pessoal
As silhuetas com referências históricas, já presentes de forma sutil em coleções recentes do estilista, como Verão/Outono 24 e Inverno/Primavera 25, também aparecem no figurino de Hamlet em detalhes de modelagem, volumes e proporções, criando uma ponte entre a moda e o teatro.

Herchcovitch; Alexandre Inverno/Primavera 2025 - Foto: Zé Takahashi
Para um elenco de 13 atores que interpretam 28 personagens, foram desenvolvidos cerca de 40 itens de indumentária. O trabalho não foi feito sozinho: os figurinos contam também com adereços de Antonio Gomes e joias e coroas criadas por Pedro Nart.

Foto: Arquivo pessoal
Com temporada até 19 de abril, Hamlet já conta com sessões esgotadas, evidenciando o interesse do público pela montagem e seus detalhes.
