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A Jacquemus sempre foi conhecida por colocar seus desfiles em paisagens de tirar o fôlego. Simon tem a alma viajante, mas não fazia shows ao ar livre há três temporadas. Hoje, com um céu e mar azuis ao fundo, uma brisa que balança os cabelos, o sol brilhando e pouco mais de 150 convidados na costa noroeste da Córsega, o francês apresentou uma coleção que não conta só uma história de continuidade, mas sim de permanência e evolução.

Enquanto muitas marcas tentam incorporar códigos que nunca possuíram ou embarcar em tendências que mudam a cada temporada para conquistar o coração do público, Simon faz isso por ser quem é. E existe felicidade maior do que essa?

Logo nos dois primeiros looks, vemos cores vibrantes, amarelo e azul, com camisa, top e regata brancos em tecidos fluidos, que se movimentam junto com a brisa da ilha. O designer continua explorando formas de um jeito especial. Elas não dependem tanto do movimento do corpo para surtir efeito; a modelagem já proporciona esse detalhe. Falando nisso, o volume continua como protagonista de saias e vestidos, seja pelo balonê, pelas camadas ou pelas penas, que deixam a ideia mais fluida.

Uma parte interessantíssima do desfile são os blazers, camisas, calças e trench coats de nylon, em sua maioria carregando cores vibrantes que potenciam o efeito cintiliante do tecido. Até mesmo algumas peças em couro transmitem leveza, com calças mais largas e blazers sem lapela, com ombros marcados, mas pontas arredondadas. Um vestido e uma regata feitos com pequenos triângulos de tecido que parecem escamas são primorosos, e o poá de lantejoulas segue a mesma linha de efeito de um jeito mais sutil.

Tenho a impressão de que esse desfile é como aquele bolo de festa de parente que você leva para casa, deixa na geladeira e, quando vai comer no café da manhã do dia seguinte, parece ainda mais gostoso do que na própria festa. É como se a memória amadurecesse a coleção e fizesse você perceber ainda mais tudo o que viveu.

Nada aqui é tão novo assim. Algumas propostas já vêm sendo modificadas minuciosamente há umas três temporadas, e aí vem aquela voz: de novo? Sim, mas até para fazer de novo é preciso saber fazer. Sinto que nos perdemos em busca do timing, do primeiro lugar, de quem emplaca primeiro ou de quem vai estar no ranking X ou Y. Não que isso não seja importante, mas, se você sair da competição, você ainda vence sozinho?

Em sua última apresentação, Jacquemus festejou e, nesta, ainda estamos com o confete e o gosto da festa. Aquela felicidade de olhar para trás e entender o quanto se evoluiu nesse tempo. De continuar amando pensar em modelagens diferentes — o que Simon faz desde o primeiro desfile — e olhar para a foto de antes e a de agora como um presente que existe tanto no tempo quanto no gesto. A tradução de "Le bonheur" é felicidade, e o que pode ser mais feliz do que comemorar quem se é?

Hylentino

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