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Toda vez que estou prestes a pousar no Rio de Janeiro e o avião passa pertinho do Cristo, minha mente automaticamente canta “Hot girls where I’m from, we don’t look like models, tan lines, big curves and the energy glows…”, mas dessa vez, na minha primeira semana de moda no Rio, foi diferente.

Havia muita expectativa em torno das marcas que iriam desfilar na RIOFW, mas Karoline Vitto era um nome no line-up que fez meus olhos brilharem. Pode ser porque ela se apresentou no Brasil depois de muitas temporadas fora, mas principalmente porque ela sempre vestiu quem a moda sempre se recusou a vestir — olhar para curvas e não tentar escondê-las, mas sim evidenciar o desenho que elas trazem para o corpo. Não assisti ao desfile ao vivo, mas fiz questão de chegar em casa e dar o play algumas vezes. Antes disso, porém, preciso falar da minha experiência fora da primeira fila.

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Enquanto corria de um backstage para o outro, encontrei algumas amigas modelos que, por muito tempo, foram minha inspiração para ocupar um lugar na moda sem ser magra. Lembrei de como fazia tempo que não as encontrava nos desfiles e de uma vez específica em que uma me disse que caiu de um desfile porque já tinha outra curvy. Me decepciona, mas não me espanta. Estamos vivendo tempos em que, quanto mais magra, melhor. Para um mundo que nunca se importou verdadeiramente com diversidade, talvez um discurso falso sobre saúde ou sobre a dificuldade em produzir peças para corpos maiores seja muito mais simples do que realmente olhar para eles.

Para sua primeira semana de moda no Brasil, Karoline trouxe seu design inconfundível, que potencializa as curvas do corpo com recortes e metais clássicos da marca, misturados com tecidos fluídos que refletem o movimento. Aqui, é como se a roupa se adequasse à curva, e não o corpo tentasse caber na roupa. Como estamos falando de Brasil, também vimos sobreposições com biquínis e maiôs.

Muito se fala sobre designers masculinos que amam mulheres por produzirem roupas bonitas — e só, nem sempre confortáveis para quem diz amar mulheres — mas pouco se fala sobre como o olhar feminino na moda é sensível, mas não aquela sensibilidade vulnerável, e sim aquela que olha para os detalhes, que transforma uma insegurança em sua principal carta, que faz as curvas virarem estrela principal em um mundo onde elas são quase criminosas. Mas aqui, como Doja Cat diz: “it’s a crime to be gorgeous”

O desfile de Karoline Vitto nos lembra que talvez, aqui, a Anitta esteja errada. As garotas de onde nós viemos parecem, sim, modelos — com seu bronze, curvas e energia que brilha. E, assim como em Girl From Rio, você com certeza vai se apaixonar pela mulher de Karoline Vitto.

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

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