No terceiro dia de Rio Fashion Week, duas mulheres apresentaram suas coleções que definem bem o espírito da mulher carioca; pela tarde, Patrícia Vieira, carioca de sangue e de coração, apresentou uma coleção que celebra a cidade do Rio de Janeiro, com corpo e alma, em um mood daquela mulher elegante e cheia de personalidade que vive em um apartamento modernista dos anos 1970, de chão de taco que só Copacabana tem. Já pela noite, Hisha, que apesar de mineira, é uma das marcas favoritas das patricinhas do Rio, trouxe frescor, artesanato e muita sensualidade de uma forma que dispensa esforço.

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Entre saias lápis, vestidos rodados e aquelas peças casuais prontas para o dia a dia com uma elegância despojada, o couro apareceu como protagonista — matéria-prima que Patrícia domina como poucas. Algumas peças ganharam pinturas da artista plástica Klaucia Badaró, com paisagens cariocas como as Ilhas Cagarras e a Igreja da Penha, bairro onde a designer trabalhou por mais de 30 anos. Mas a colaboração artística não parou por aí: Bruno Bogossian entrou com seu grafite, enquanto Natalia Reys e John Reys trouxeram mosaicos que transformavam as roupas em superfícies vivas. No fim, era menos desfile e mais uma galeria ambulante atravessando a passarela.

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Já na Hisha, Giovana Resende, a rainha do bordado que já conquistou nomes como Marina Sena, desembarcou no Rio — e fazia todo sentido. Em 40 looks entre inéditos e reedições, a marca mostrou por que virou uniforme não-oficial de uma certa juventude carioca. Se a mãe veste Patrícia Vieira, a filha veste Hisha — e existe um diálogo silencioso aí. A mineira consegue bordar da seda ao jeans com a mesma precisão, criando peças que transitam com naturalidade entre o dia e a noite, do almoço em Ipanema ao after no Centro.

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E talvez seja justamente nesse contraste que o terceiro dia se sustenta: de um lado, uma sofisticação construída com memória, técnica e arte; do outro, uma leveza quase despreocupada, mas extremamente calculada. No meio disso tudo, o Rio aparece não como cenário, mas como comportamento — um jeito de vestir que entende o corpo, o calor, o excesso e, principalmente, a liberdade de ser múltipla.

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