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Não sei nadar, mas amo o mar. Sempre que vou à praia, dou um jeito de ficar de frente para a areia para aproveitar qualquer olhadinha pela janela e contemplar aquela imensidão azul. Amo ver como o mar muda de cor de acordo com a luz. Adoro observar como ele chega à areia em outra cor e volta da mesma forma que veio. Gosto de ver a textura mudar de acordo com o movimento das ondas e ouvir seu balanço.

Pouco tempo antes do show começar, o ASMR de ondas ficou ligado e foi a hora em que eu mais desacelerei no dia. A praia de Pharrell virou aquele momento do dia em que passamos 15 minutos no sol em silêncio, molhamos o pé, sentimos a textura da areia e nos sentimos prontos para voltar à vida. A energia da praia tem dessas, e os shows comandados por Pharrell também.

O cenário por si só já chama atenção, mas, assim que o desfile começa, estar atento aos detalhes se torna essencial. A estética dândi continua presente como base para a criação da nova coleção, que começa com um equilíbrio entre tons mais fechados e alfaiataria, além de um cardigan longo e xadrez, com um azul mais potente e detalhes coloridos. Daqui para frente, vemos conjuntinhos de couro ou jeans, casacos longos — alguns até com pelos nas golas — e jaquetas talvez até um pouco pesadas para um desfile de verão, mas que ainda assim trariam calor para qualquer dia cinza.

Quando olho para o animal print de cobra, não consigo ver o réptil em si, mas sabe quando olhamos ilhas de cima? É como se estivéssemos sobrevoando o mar mais azul possível. O degradê de cores também aumenta essa impressão.

Falando nos tons, a presença de azul, amarelo-areia, verde, laranja, rosa e vermelho também mostra o quanto Pharrell olha para todas as possibilidades dentro da imagem da praia. Pranchas, conchas, búzios e coqueiros podem ter um sentido mais literal, mas as cores de um dia litorâneo também chegam de forma não tão óbvia assim.

O xadrez, as listras, os bonés, os jeans e os patches são a representação perfeita para aquela imagem de surfista que mora no nosso imaginário. Alguém com alma jovem, solar, cabelos ao vento, óculos de sol no rosto, calção que um dia foi calça e combinações — como blazer e shorts com tênis — que nem sempre seriam tão legais assim, mas que nele, que é tão cool, se tornam ainda mais interessantes. E por baixo desse look? Um bodysuit e uma prancha da Louis Vuitton para se jogar no mar.

Essa é mais uma das viagens em sua direção criativa e mais uma vez em que Pharrell mostra que consegue conectar toda a herança da Louis Vuitton com seu background jovem, descolado e rico em cultura de rua.

Se quando Pharrell chegou à Louis Vuitton o mar parecia agitado pelas dúvidas externas sobre sua escolha para o cargo, hoje ele se prova capaz de surfar qualquer onda, principalmente uma gigante com o nome de uma das maiores casas de moda do mundo.

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

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