WELLNESS4 min de leitura

Ano novo, vida nova. Esse costuma ser o lema de todo início de ano, com novas metas, sonhos e uma promessa de novos hábitos onde estamos prontos para mudar de vida, de corpo e saúde. É comum que nesses primeiros dias, ainda se pense muito no prejuízo dos exageros das festas, mas se antes isso ficava restrito apenas às dietas e a preocupação de engordar ou não, agora, não beber também faz parte dos planos.

O ano começa com o “Dry January”, ou no bom português, Janeiro Seco. O primeiro insight, aconteceu em 2011, enquanto a britânica Emily Robinson se preparava para sua primeira meia-maratona, e em busca de hábitos mais saudáveis, parou de beber por um mês.

A escolha impactou fisicamente e mentalmente, levando Emily a repetir o Janeiro Seco em 2012, que passou a trabalhar com a Alcohol Change UK, organização sem fins lucrativos que visa conscientizar sobre os danos do álcool.

Em 2013, durante a primeira campanha com a instituição, foram registrados 4.000 participantes do desafio. No ano seguinte, autoridades locais passaram a apoiar o movimento, que ganhou mais destaque a cada janeiro, sendo objetivo de pesquisa ao longo dos anos, criando aplicativos para tornar a adesão e continuidade mais prática, e expandindo sua mensagem ao redor do mundo, chegando à marca de 300 mil inscritos em 2025.

A iniciativa tem uma boa aliada ao longo do ano e promete fazer da prática algo ainda mais cool. Com vício em um lifestyle aesthetic de saúde para dar e vender, a nova geração tem mais alternativas de socialização e não vê o álcool como única opção para diversão. Não que eles não consumam, mas suas escolhas costumam ser mais conscientes e alinhadas com que esperam para o futuro.


Segundo a pesquisa realizada pela Ipsos-Ipec, a pedido da realizada a pedido do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool para a sétima edição da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025, o percentual de pessoas que declararam não beber passou de 55% (2023) para 64% (2025). A abstenção aumentou entre os jovens de 18 a 24 anos (de 46% para 64%) e entre pessoas com ensino superior (de 49% para 62%) e o uso abusivo diminuiu na população geral, passando de 17% (em 2023) para 15% (em 2025). Sua predominância continua maior entre os homens (65%), enquanto entre as mulheres predomina a abstenção (59%).

Apesar das boas notícias, os números ainda são alarmantes. Segundo um relatório da OMS divulgado em 2024, há 400 milhões de pessoas no mundo com transtornos causados pelo uso de álcool, sendo pouco mais da metade desse número (209 milhões) consideradas dependentes. Quando falamos em danos à saúde, embora o consumo tenha reduzido entre 2010 e 2024, no Brasil, as internações associadas ao consumo de álcool seguiram direções opostas. As internações totalmente atribuíveis ao álcool (TAA) diminuíram 48,4%. Em contrapartida, as parcialmente atribuíveis ao álcool (PAA) aumentaram 50,3%. O resultado geral dessas tendências foi um crescimento de 24,2% no total de internações relacionadas ao álcool no país.


A falta de percepção também pode ser um empecilho para a redução de danos, 63% dos entrevistados afirmaram “não beber” (52% em 2023). Contudo, mesmo entre os consumidores abusivos, 82% dizem beber de forma moderada, o que indica baixa percepção de risco. Apenas 9% reconhecem que bebem excessivamente e que precisam mudar.

Apesar do cenário ser por vezes alarmante, ele ainda é muito otimista e com resultados que vem movimentando o mercado de bebidas. Segundo o Anuário da Cerveja, conduzido pelo Ministério da Agricultura e da Pecuária, a produção de cervejas sem álcool ou desalcoolizadas (com teor alcoólico igual ou inferior a 0,5%) teve um crescimento expressivo de 536,9%, representando 4,9% de toda a produção nacional.


Quando direcionamos para as marcas, um relatório da Ambev apontou crescimento de 20% no setor em comparação a 2023, e com a Corona Cero, a receita cresceu 125% em 12 meses. A Heineken, líder no segmento, também reportou bons números, com crescimento de 10% no seu catálogo 0.0.

Os movimentos de conscientização sobre o consumo de álcool são diversos e não te convidam a parar de beber para sempre, mas sim escolher de forma mais saudável e mais consciente. O sober curious incentiva a busca de informação sobre os benefícios da sobriedade, enquanto o zebra stripping intercala bebidas alcoólicas a não alcoólicas, buscando o equilíbrio para reduzir o consumo.

Seja em janeiro ou pelo restante do ano, vale a pena incluir hábitos mais saudáveis e que diminuam os danos que alguns costumes possam causar a sua longevidade. Que em 2026 você faça as melhores escolhas pro seu eu do presente e do futuro!


Hylentino

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