Na Fondazione Prada, Miuccia Prada e Raf Simons apresentaram o inverno masculino 2026 da Prada neste domingo (18). Intitulada “Before and Next”, a coleção já anuncia uma narrativa sobre tempo e continuidade. Punhos de camisas aparecendo para fora de casacos e blazers, muitos deles amassados, davam o tom do que estava sendo proposto desde o início.
De perto, os detalhes confirmavam a intenção. Punhos “sujos”, simulando ferrugem, acessórios com aparência gasta, tecidos marcados pelo uso. As roupas pareciam ter sido tiradas de um armário que ficou fechado por anos. Não no sentido de algo esquecido, mas de algo guardado. Peças que atravessaram tempo, corpo e contexto, e que agora voltam à superfície sem tentar esconder isso.
Nada ali parecia preocupado em parecer novo demais. Pelo contrário. O amassado, o desgaste e essas marcas visíveis funcionavam quase como um respiro à ideia de que tudo precisa parecer recém-feito o tempo todo. Como o próprio release aponta, trata-se de criar algo novo sem apagamento, onde “novas ideias são criadas carregando ecos de um passado coletivo”. A coleção lembra que roupa vive, envelhece, muda de dono, de função e de significado.
A Prada também não tenta transformar isso em nostalgia. Não é sobre revisitar o passado com carinho ou romantizar outras épocas. É sobre aceitar que nada surge do zero. Esse pensamento soa especialmente pertinente em um momento em que a moda vive pequenas guerras de ego nas redes sociais, disputando quem fez primeiro, quem criou antes, quem chegou lá. A coleção parece lembrar que essa obsessão por autoria é, muitas vezes, vazia.
Existe também um certo desconforto nessas roupas. Elas não são fáceis, nem óbvias. E talvez seja justamente esse o ponto. Em vez de correr para parecer atual o tempo inteiro, a Prada desacelera e faz o oposto: olha para trás, não para copiar, mas para entender de onde veio. “Before and Next” funciona quase como um aviso. A Prada lembra à nova geração que o novo só existe porque algo veio antes — e que ignorar isso empobrece tanto a roupa quanto a própria conversa sobre moda.
