O que Miguel Castro Freitas e a dupla Jack McCollough e Lazaro Hernandez têm em comum? Além de terem apresentado seus segundos desfiles, respectivamente na Mugler e na Loewe, eles apresentaram a mesma proposta de uso da cor.
Na Mugler, Castro Freitas apresentou a coleção “A Comandante”, segundo capítulo da sua trilogia de “clichês glorificados”. Com ombros arquitetados, cinturas marcadas e uma alfaiataria poderosa inspirada no power dressing, o estilista reforçou os arquétipos de autoridade que fazem parte do DNA da casa. A paleta, porém, permaneceu controlada: muitos neutros e poucos momentos cromáticos, usados quase como interferências estratégicas dentro de uma silhueta dominada por estrutura e disciplina.
Na Loewe, McCollough e Hernandez seguiram uma lógica semelhante. Entre peças escultóricas e vestidos que lembravam pequenas bonecas — quase um momento Polly Pocket, herança direta do universo lúdico deixado por Jonathan Anderson — a dupla mostrou que não pretende romper totalmente com o legado recente da marca. Mas a cor aparecia de forma pontual: um detalhe vibrante em meio a um look essencialmente sóbrio, como se o cromatismo fosse um comentário visual dentro de uma silhueta controlada.
Algo parecido aconteceu na Celine, onde Michael Rider apresentou sua segunda coleção apostando em um guarda-roupa clássico e preppy: casacos longos, calças de alfaiataria e vestidos elegantes. Mesmo quando a cor aparecia — em florais vibrantes ou detalhes pontuais — ela parecia sempre contida, como parte de uma ideia maior de discrição e permanência.
No fim, os três desfiles parecem sinalizar um mesmo movimento: depois de temporadas dominadas pelo excesso cromático, alguns criadores voltam a tratar a cor como detalhe.
