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Duran Lantink fez sua estreia na Jean Paul Gaultier com mais vaias do que aplausos. Desde que assumiu a direção criativa, Lantink tem equilibrado seu talento para construir em novas formas para o corpo (assim como JPG) com a herança de uma casa disruptiva, que talvez tenha se assustado um pouco com o quão à frente ele fosse capaz de ir — quem lembra do bodysuit peladão? Desta vez, teve vestido que parecia um cano de esgoto, mas calma: é muito menos pior do que parece.

No prêt-à-porter de inverno, o estilista ganhou pontos com o público em uma coleção bem menos midiática e muito mais agradável do que a primeira. Na alta-costura, Duran repete o feito com um pouquinho mais de apelo, mas agora de uma forma bonita e não tão viral a qualquer custo.

A maioria das peças cria novas silhuetas para o corpo. Algumas mais conhecidas, como ombros, peitorais e ancas volumosas, e outras mais ousadas, como cinturas deslocadas para o lado. Grande fã de dorsos e impressões, Duran criou um novo corpo para o famoso Leon Dame, conhecido por se contorcer na passarela. Talvez não houvesse nenhum outro modelo tão especial quanto ele para imprimir o próprio peitoral em 3D e recriá-lo “à la Duran Lantink”. Ainda nessa linha, o corset vermelho chama atenção, assim como outro em formato de broche com um buquê de flores, que faz parte de um vestido de veludo e que, com certeza, foi pensado enquanto Duran fazia sua primeira visita ao Palácio de Versalhes.

O estilista disse que Maria Antonieta foi uma de suas inspirações, o que fica claro quando olhamos para os vestidos volumosos, alguns feitos em mil folhas de tecido, como o tradicional doce francês. Quando essa informação chega, o desfile se torna mais fácil de entender. Duran mistura suas formas futuristas e impressas em 3D com aquilo que vem da história, do tempo e do artesanal. As penas, as miçangas, as escamas, florais e laços trazem os detalhes que encantam, enquanto contrastam com jaquetas jeans ou de couro, que também fazem parte das escolhas de Duran. Talvez não seja aquela alta-costura glamourosa e fácil de admirar, mas ela é curiosa.

É como se as roupas tivessem sido colocadas pelos buracos errados. Golas viram decotes e capuzes; tules que seriam a cauda do vestido se projetam para a frente, parecendo um cano de esgoto — e isso está longe de ser ruim. Talvez, no primeiro olhar, até seja. Mas, de frente, é só mais um belo vestido volumoso, que se torna uma surpresa rebelde quando muda de ângulo. Não era isso que Jean Paul Gaultier fazia? Nos iludia e encantava com os ângulos. Fazia as roupas se tornarem mágicas.

Duran faz o mesmo. Seus tubos se contorcem, sua alfaiataria cria formas diferentes, seus vestidos não são óbvios e suas impressões às vezes são ousadas demais. Mas, se esperamos tanto por alguém que não entregue mais do mesmo, será que estamos preparados para gostar daquilo que os nossos olhos ainda não estão acostumados a ver?

Hylentino

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