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Quase todos os tênis mais hypados da moda nasceram no esporte. O que um Converse Chuck Taylor, um adidas Superstar e um Air Force 1 têm em comum? Todos nasceram dentro das quadras de basquete.
Criados originalmente para atender às necessidades de atletas em diferentes momentos da história do esporte, acabaram construindo trajetórias muito maiores do que seus propósitos iniciais. Deixaram de ser apenas equipamentos esportivos para se conectar à música, à moda e até ao skate, ganhando espaço muito além do esporte e se transformando na principal assinatura de alguns atletas, além de ser uma ferramenta de expressão dentro das quadras. De logos censurados a frases de protesto ou alianças da sorte, os tênis nunca foram só calçados dentro desse esporte.
Para quem acompanha a NBA, estamos entrando em mais um capítulo da principal liga de basquete do mundo. No dia 3 de junho de 2026, Knicks e Spurs iniciam a disputa pelas Finais da NBA. Aproveitando esse momento, resolvemos voltar no tempo para revisitar alguns dos modelos mais importantes já lançados para o basquete e entender como eles conseguiram ir além das quadras e influenciar a forma como nos vestimos até hoje.


Converse Chuck Taylor ou All-Star
Você pode não saber, mas aquele par de Converse que você já teve ou sempre vê alguém usando? Ele surgiu para o basquete, considerado o primeiro grande tênis de basquete da história, lançado por volta de 1917 e mais tarde batizado como Converse All Star, além de ser ligado à figura de Chuck Taylor, que não só eternizou o All Star nas quadras, como passou a atuar diretamente como funcionário da marca.

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Chuck Taylor | Kurt Cobain | Converse x Maison Margiela

Pouco tempo depois, em 1932, a marca passou a adicionar a assinatura na lateral de cada calçado, “Chuck Taylor All Star”, como conhecemos até hoje, transformando-o em um dos primeiros calçados esportivos associados comercialmente a um atleta.
Mas o que nasceu para as quadras passou também a ser fortemente associado a diversas contraculturas e movimentos musicais. Com o tempo, deixou o ambiente esportivo e passou a circular por ambientes como o punk nos anos 70 e o gênero grunge dos anos 90, sempre visto nos pés de Kurt Cobain. Um tênis que se mantém como um verdadeiro clássico até os dias de hoje. Poucos modelos conseguiram circular em tantos estilos e momentos diferentes da cultura quanto o Chuck Taylor, tornando-se uma das maiores referências culturais da história dos calçados.


adidas Superstar

O adidas Superstar foi um dos primeiros tênis de basquete a conquistar espaço dentro da música, da moda e das ruas, tornando-se um símbolo cultural muito além de sua origem esportiva.

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Kareem Abdul-Jabbar | Run-D.M.C. | Wales Bonner x adidas

Lançado em 1969, o Superstar ficou conhecido por trazer uma proteção extra para os pés dos jogadores através de sua biqueira, o famoso “shell-toe”, além de um cabedal totalmente construído em couro, algo bastante inovador para a época. O Superstar também contava com um dos maiores jogadores, Kareem Abdul-Jabbar, utilizando o tênis nas quadras, ajudando a adidas a consolidar sua presença dentro do basquete profissional.
Anos depois, encontrou uma nova trajetória fora das quadras. Adotado pela cultura hip-hop nos anos 80, principalmente por b-boys, DJs e MCs de Nova York, o Superstar se tornou de forma natural parte daquele movimento. Sua popularidade ganhou ainda mais força quando o grupo Run-D.M.C. lançou o hit “My adidas”. O sucesso da música ajudou a dar origem a um dos primeiros contratos entre um grupo musical e uma marca esportiva, construindo uma das relações mais importantes entre música e a cultura dos tênis.
Do universo da moda ao streetwear, de Madonna a Beastie Boys, de Mark Gonzales a Pharrell Williams, muitos nomes podem ser associados ao adidas Superstar, assim como inúmeras releituras, parcerias com nomes como Wales Bonner, Willy Chavarria e Jeremy Scott.


Puma Clyde
Entrando no clima das Finais da NBA, o Puma Clyde nasceu como assinatura de Walt Frazier, estrela do New York Knicks e um dos jogadores mais estilosos da história da liga. Tudo começou nos anos 70, quando Clyde assinou com a Puma e partiu do desejo de jogar com um tênis de cano baixo. Veio ao encontro da popularidade que o Puma Suede tinha na época e da diversidade de cores que o modelo carregava.

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Walt Frazier | Guadalupe Store x Puma Clyde "Cidade Cinza" | Jay-Z x Puma Clyde

Se pensarmos que o Converse Chuck Taylor foi rebatizado quando Chuck Taylor já havia se aposentado, podemos considerar que o Puma Clyde foi um dos primeiros tênis assinados por um jogador ainda em atividade. Em um período em que esse tipo de parceria ainda era raro, o lançamento ajudou a abrir caminho para a relação que vemos hoje entre atletas, marcas e linhas assinadas. Walt Frazier foi duas vezes campeão da NBA pelos Knicks e participou da conquista do título de 1973 utilizando o Puma Clyde.
O Puma Clyde segue sendo utilizado até hoje e reinterpretado através de diferentes edições, como os projetos desenvolvidos ao lado de Dapper Dan. Também é conhecido por ser um dos tênis favoritos de Jay-Z, que chegou a lançar versões limitadas ligadas ao período do álbum 4:44. Aqui no Brasil, tivemos uma edição desenvolvida ao lado da loja Guadalupe Store. Batizada de “Cidade Cinza”, foi criada como uma homenagem à cidade de São Paulo, sob a direção criativa de Pedro Andrade.


Converse Pro Leather
Como o próprio nome sugere, o Pro Leather foi lançado em 1976 como uma novidade da Converse por ser construído em couro. Afinal, como conhecemos até hoje, os Chuck Taylor eram feitos em lona. Na época, começavam a surgir preocupações sobre as lesões dos jogadores, e o novo cabedal em couro era apresentado como uma evolução de performance, prometendo mais suporte e proteção dentro das quadras.

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Michael Jordan | Converse Weapon by Shai | Larry Bird & Magic Johnson


O que fazia sentido, pois o rosto por trás do tênis era Julius Erving, ou Dr. J, como ficou conhecido, um dos maiores jogadores de todos os tempos e uma das principais referências para Michael Jordan. Logo naquele mesmo ano, o jogador venceu o primeiro Slam Dunk Contest profissional da história na extinta ABA, ajudando a transformar as enterradas em uma das principais atrações do espetáculo que o basquete se tornaria nas décadas seguintes.
E por falar em Jordan, muito antes de assinar com a Nike, ele utilizava o Converse Pro Leather enquanto atuava pela Universidade da Carolina do Norte, antes de ser draftado para a NBA.
Assim como outros clássicos do basquete surgidos naquele período, o Converse Pro Leather também encontrou popularidade durante os anos 80, muito associado à cultura jovem e ao hip-hop. Com o tempo, o tênis manteve seu espaço dentro da estética sportswear vintage. Exemplos recentes são os projetos realizados ao lado da pgLang, agência criativa de Kendrick Lamar, além de algumas das primeiras colaborações assinadas por Shai Gilgeous-Alexander com a Converse.


Nike Air Force 1
Se você pedir para alguém imaginar um tênis branco, sem dar mais nenhuma referência, existe uma grande chance de a imagem que venha à cabeça ser a de um Nike Air Force 1 White on White, um dos modelos mais vendidos da história da Nike.

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Moses Malone | Louis Vuitton x Nike Air Force 1


Mas o que você talvez não saiba é que, muito antes de grandes parcerias ou até mesmo de vídeos do Dr. Dre fazendo referência aos seus tênis brancos, o AF1 foi criado para ser voltado ao basquete.
Lançado em 1982, o Air Force 1 marcou uma revolução dentro do esporte ao se tornar o primeiro tênis da Nike equipado com a tecnologia Air para as quadras.
O lançamento foi muito importante para a marca naquele momento. adidas, Converse e Puma viviam um ótimo momento dentro do basquete americano, e foi com a ajuda de Moses Malone que rapidamente ganhou espaço. Na mesma temporada em que utilizava o Air Force 1, o jogador foi eleito MVP da NBA e conquistou o título da liga pelo Philadelphia 76ers.
O legado do tênis não acabou ali. Após sair das quadras, encontrou nas ruas de Baltimore e Nova York um novo significado cultural. O AF1 foi adotado pela cultura urbana e se tornou parte do estilo pessoal durante os anos 90 e 2000.

Foi justamente em Baltimore que surgiram os chamados “Color of the Month”, iniciativa criada por lojistas locais que ajudou a manter o modelo em produção e deu origem à cultura de lançamentos e combinações de cores especiais que marcaria o Air Force 1 nas décadas seguintes. Também se tornou presença constante em capas de revista, videoclipes e letras de música, de Fat Joe a Nelly, que chegou a homenageá-lo no sucesso “Air Force Ones”.


A trajetória que começou nas quadras em 1982 passou pelo hip-hop, pela cultura de rua e pelo streetwear até chegar, quarenta anos depois, à colaboração entre Nike e Louis Vuitton idealizada por Virgil Abloh, um dos momentos mais simbólicos de sua história.


adidas Forum
Muito antes de se tornar o escolhido para dar início à parceria entre adidas e Bad Bunny, o adidas Forum já ocupava um lugar especial dentro da história do basquete. Lançado em 1984, nasceu como uma das principais apostas da adidas para o esporte, representando o que a marca tinha de mais avançado em performance naquele momento. Com construção robusta, sistema de suporte com strap no tornozelo e versões de cano alto, médio e baixo, rapidamente se tornou uma das referências da categoria.

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adidas Forum | Michael Jordan | Bad Bunny x adidas

Pouca gente lembra que Michael Jordan utilizou o adidas Forum durante os jogos de preparação e nos Jogos Olímpicos de Los Angeles daquele ano, pouco antes de iniciar sua trajetória profissional na NBA e assinar com a Nike.
Décadas depois, continuaria encontrando novos espaços, da Prada aos skatistas Mark Gonzales e Tyshawn Jones, mostrando sua capacidade de adaptação ao longo do tempo.


Converse Weapon

Lakers e Celtics protagonizam uma das maiores rivalidades da história do esporte, e o Converse Weapon chegou às quadras nos pés dos dois maiores astros daquela época. De um lado, Magic Johnson e o Los Angeles Lakers. Do outro, Larry Bird e o Boston Celtics.

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Magic Johnson & Larry Bird | Tyler, The Creator | Converse Weapon

Em meados dos anos 80, Magic e Bird viviam o auge de suas carreiras e ajudavam a impulsionar a popularidade da NBA em um período de forte crescimento da liga, enquanto a Converse utilizava essa rivalidade como ferramenta para promover seus tênis. Não por acaso, o Weapon se tornou um dos modelos mais presentes nas quadras durante aquela década.
Era o que a Converse tinha de mais avançado para o basquete naquele período, um calçado de cano alto robusto, construído em couro e responsável por dar continuidade ao legado iniciado pelo Chuck Taylor All Star e posteriormente desenvolvido pelo Pro Leather.
Algumas décadas depois, o Weapon voltou a ganhar espaço com o interesse crescente do público por clássicos do basquete, além de releituras assinadas por Rick Owens por meio da DRKSHDW. Mais recentemente, também apareceu nos pés de Tyler, The Creator em seu mais novo projeto “Don’t Tap the Glass”.


Air Jordan 1
A parceria entre Michael Jordan e a Nike deu origem, em 1985, ao Air Jordan 1. O lançamento marcou uma mudança na forma como atletas, marcas e consumidores se relacionavam, ajudando a transformar um tênis de basquete em um símbolo de identidade cultural capaz de atravessar gerações.

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Air Jordan 1 | Air Jordan 1 Dior | Michael Jordan

O Air Jordan 1 chegou à NBA em um momento em que os jogadores ainda utilizavam majoritariamente tênis de cores sóbrias. A combinação preto e vermelho rapidamente chamou atenção da liga e ajudou a criar o episódio conhecido como “Banned”, transformando sua chegada à NBA em um dos assuntos mais comentados do esporte naquele período.
A partir dali, a relação entre esporte, imagem e desejo cultural começou a ganhar uma nova dimensão dentro da indústria esportiva. O Air Jordan 1 ajudou a abrir caminho para o universo de linhas assinadas, colaborações e lançamentos que moldariam o mercado nas décadas seguintes.
Permaneceu presente no imaginário popular sem nunca desaparecer completamente. Apesar de Michael Jordan nunca ter conquistado um título da NBA usando o Air Jordan 1, o legado do modelo se tornou imensurável. Nos últimos anos, viveu uma de suas maiores retomadas, circulando entre públicos muito diferentes, dos fãs de Travis Scott ao universo da alta moda com o Air Jordan 1 Dior, passando pela visão criativa de Virgil Abloh com a Off-White.


Nike Dunk

Nem toda a estratégia da Nike para o basquete passava pela NBA. Em 1985, o Nike Dunk surgiu como uma aposta da marca para fortalecer sua presença dentro do basquete universitário americano. O projeto fazia parte da campanha “Be True To Your School”, conectando diferentes combinações de cores das principais universidades da NCAA.

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St. John's | Be True To Your School | Travis Scott


Seu nome faz referência direta ao movimento mais lembrado do basquete, a enterrada. Em um momento em que a Nike começava a ganhar espaço nas quadras da NBA, o Dunk tinha como objetivo ampliar sua atuação dentro do ambiente universitário, desempenhando para a NCAA um papel semelhante ao que o Air Jordan 1 representava para a marca na NBA.
Mesmo tendo sido criado para o basquete, o Dunk encontrou seu caminho próprio com o passar do tempo. Diferente de outros modelos de sua geração, o tênis saiu naturalmente do esporte para ocupar espaço dentro do universo do skate e da cultura dos tênis.

Nos anos 2000, com o lançamento da linha Nike SB, foi fundamental para a entrada definitiva da marca na modalidade, onde a Nike ainda encontrava resistência. A partir dali, o Dunk passou a se conectar com marcas, skateshops e criativos, dando origem a edições limitadas e lançamentos que ajudaram a construir boa parte da cultura que cerca esse universo hoje.
E mais recentemente, viveu um novo auge de popularidade, indo além do universo dos colecionadores e alcançando novos consumidores. Voltou ao centro das atenções através de projetos com Travis Scott, Virgil Abloh, Ben & Jerry’s e da febre que foi o Dunk Panda.


Nike Air More Uptempo
Mais recentemente, o Nike Air More Uptempo voltou a ganhar visibilidade através de projetos com nomes como AMBUSH e também por aparições frequentes nos pés da cantora Billie Eilish. Em uma dessas ocasiões, uma foto da artista com o More Uptempo gerou uma discussão viral nas redes sociais sobre qual seria a verdadeira cor do tênis. Entre suas diferentes releituras, a edição desenvolvida ao lado da Supreme segue entre as mais lembradas.

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Scottie Pippen | AMBUSH x Nike Air More Uptempo | Billie Eilish

Lançado em 1996, o Nike Air More Uptempo nasceu em um período em que a NBA já alcançava uma alta popularidade global. Ficou fortemente associado a Scottie Pippen durante uma das fases mais dominantes da história do Chicago Bulls, marcada pela temporada de 72 vitórias e pela conquista do título da NBA. Mesmo não sendo um modelo assinado pelo jogador, acabou se tornando um dos pares mais ligados à sua imagem.
Rapidamente se tornou um dos tênis mais reconhecíveis de sua geração, principalmente por conta de sua estética agressiva e do enorme “AIR” aplicado em seu cabedal. No ano das Olimpíadas de Atlanta, o More Uptempo ajudou a expandir os limites do design dentro do universo dos tênis esportivos, transformando uma tecnologia da Nike em parte central da identidade visual do produto.


Em um momento decisivo e histórico nas Finais da NBA, com o Knicks podendo vencer seu primeiro campeonato após mais de 50 anos de jejum e o Spurs prestes a consagrar Victor Wembanyama como a próxima lenda do esporte em sua primeira participação nos playoffs, olhar para trás é perceber que muito do que consumimos hoje — e antes de as caminhadas pelo túnel se tornarem um dos principais momentos da pré-partida — foi moldado pelos tênis de basquete, que influenciaram a moda e a cultura sneakerhead dentro e fora das quadras.

Hylentino

MODA, BELEZA E CULTURA EM UM SÓ LUGAR.

A moda democrática.

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