The Weeknd é a prova de que ser básico é só para os básicos mesmo
Fotos: Tyler Mitchell para W Magazine
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Abel Tesfaye, mais conhecido como The Weeknd, não é tipo de artista que acredita que apenas um palco e um microfone bastam. Dono de 14 indicações ao Grammy e 4 estatuetas, Abel é viciado em espetáculo. O cantor sempre investiu em visuais inesquecíveis — desde seu primeiro sucesso global com I Can't Feel My Face até seu maior ápice: o icônico álbum After Hours, impulsionado por Blinding Lights, que é atualmente a música mais ouvida da história do Spotify, totalizando mais de 5 bilhões de streams até esse ano.

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The Weeknd sempre foi um artista ligado a visuais bem construídos, mas em After Hours tudo ganha proporções de excelência que poucos são capazes de entregar. Seu personagem de terno vermelho atravessou fases intensas que narram sua trilogia desde o primeiro visual liberado. Em In Your Eyes, Abel retrata a obsessão e a cegueira emocional ao ser perseguido até a decapitação, simbolizando a ruptura violenta e da perda total da sanidade durante relações tóxicas.

Já em Too Late, a crítica se desdobra em duas camadas. Duas mulheres, que conversam sobre suas cirurgias plásticas e aparentam satisfação com a própria aparência, cruzam a estrada quando se deparam com a cabeça de Abel jogada no asfalto. Após o choque inicial, elas o reconhecem imediatamente e passam a fetichizar sua cabeça, transformando-o em objeto de desejo e prazer, brincando com ele em diversas cenas.

A obsessão chega ao extremo quando contratam um gogoboy para assassiná-lo e costurar a cabeça de The Weeknd em seu corpo, numa metáfora sobre a objetificação e a desumanização.

Por fim, em Save Your Tears, surge harmonizado, expondo o culto à aparência, a distorção da imagem na era dos filtros e a tentativa desesperada de reconstrução e aceitação.

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Se em After Hours o personagem se entrega às dependências da vida de corpo e alma, em Dawn FM ele troca o terno vermelho por um sobretudo preto de couro, enquanto uma rádio narrada por Jim Carrey conduz o ouvinte pelo limbo entre a vida e a morte.

É ali que The Weeknd inicia sua travessia: começa sendo sufocado pelo próprio desejo, passa por um ritual que se assemelha a um sacrifício e presencia ciclos visuais de envelhecimento e rejuvenescimento, simbolizando o peso das escolhas, o arrependimento, proximidade com a morte e redenção.

Em Hurry Up Tomorrow, Abel encerra sua trilogia narrativa com renascimento. O artista acelera em direção à luz, propondo o fim do personagem The Weeknd e o nascimento definitivo de Abel Tesfaye.

É um disco sobre libertação, perdão e recomeço, fechando a trilogia iniciada em 2020 com After Hours de uma forma quase que religiosa, inclusive iniciando essa era no Brasil.

Em setembro de 2024, Abel desembarcou em São Paulo para apresentar pela primeira vez seu então próximo álbum, que na época, ainda era inédito e não havia sido lançado.

Em conexão direta com o público brasileiro, The Weeknd convidou DJ Guuga, do hit Cabaré, para abrir a noite logo após Mike Dean. E como se não bastasse, trouxe Playboi Carti para cantar Timeless e Anitta para apresentar ao mundo o hit São Paulo. Com Larissa, o feat deu tão certo que a cantora brasileira irá acompanhar Abel na turnê da América Latina, que passa pelo México, São Paulo e Rio de Janeiro.

Fora dos palcos The Weeknd também se preocupa em entregar. Nos Halloweens, Abel quase sempre aparece irreconhecível, encarnando personagens como O Poderoso Chefão, O Professor Aloprado, Coringa e Beetlejuice.

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Nas telonas, ele se aventurou em Joias Raras, interpretando a si mesmo, mas os holofotes chegaram em The Idol e no filme Hurry Up Tomorrow. Infelizmente, nessa carreira Abel ainda não deslanchou. As duas últimas obras receberam duras críticas dos especialistas e fãs do cantor.

Apesar disso, na música, os feedbacks são contrários e aclamam The Weeknd como um dos maiores artistas de sua geração, com eras meticulosamente construídas, que com certeza serão lembradas por muito tempo.

Hylentino

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